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Pescaria coletiva

Num lindo dia de primavera, uma família da etnia Mehinaku se reúne para pescar numa lagoa próxima ao rio Kurisevo, que margeia a aldeia Utawana, no sul do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, Brasil.

A rede de arrasto é uma das modalidades de pesca dos povos que habitam a região do Alto Xingu. É importante variar os locais para dar tempo dos peixes procriarem, então foi preciso carregar a enorme rede que eles tinham deixado “guardada” em outra lagoa, rio acima, para pescarem numa nova área.

A pegada de uma onça indica a presença recente do animal e nos coloca em contato direto com a floresta e a ancestralidade dessa comunidade que vive basicamente da pesca e do cultivo da mandioca.

A rede é posicionada primeiramente pelo patriarca da família, desbravando a beira da lagoa, e na outra ponta, é necessária a força de dois homens para esticar a pesada leva de peixes e areia, exigindo ainda um grande esforço coletivo para ajudar a arrastá-los.

Só depois que saímos da água é que os indígenas avisaram que ali tinha todo tipo de perigo: peixe-elétrico, arraia, jacaré, além das piranhas, com seus dentes bem afiados.


Ensaio inédito, disponível para publicação.