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A tradição do tropeirismo

Por mais de 150 anos, desde o século 18, tropeiros conduziram mulas, bois e cavalos a partir de seus criatórios nos pampas da divisa com a Argentina para grandes feiras de muares e gêneros para garimpeiros e exploradores, em Sorocaba, no interior de São Paulo, numa viagem que durava cerca de três meses. 

Muitas cidades surgiram nos locais de seus pousos e espalhou a cultura gaúcha pelos atuais estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A estrada real ficou conhecida como “Caminho das Tropas” ou “Caminho do Sul”, e a sua movimentação logo chamou a atenção da coroa portuguesa, que criou pedágios e arrecadou tantos recursos, que alguns historiadores defendem o tropeirismo como mais um grande ciclo econômico do Brasil colonial, a colaborar diretamente para o sucesso das exportações, pois as mulas são animais muito resistentes e conseguem carregar pesadas cargas. E os tropeiros também forneciam charques e couro para os alforjes do transporte do ouro até a metrópole portuguesa.

Para valorizar essa história quase esquecida, o estado de São Paulo criou incentivos para realizar eventos e refazer as tradicionais trilhas. No demais estados, alguns municípios como Lapa e Castro (PR), Santa Rosa do Sul (SC) e Bom Jesus (RS) passaram a discutir o legado cultural do tropeirismo em suas escolas. “Os tropeiros deixaram uma herança de caráter, de relações baseadas na honestidade”, diz a pesquisadora Léa Maria Cardoso Vilela.


Publicações e Exibições:
– National Geographic, Ano 9, Número 102, Setembro 2008
– Brasileiros, Número 18, Janeiro 2009
– Festividades Tropeiras, Maio 2009